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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Infância na companhia de um animal de estimação



A edição de outubro/2010 da Revista Crescer trouxe como matéria de capa os benefícios que a presença de um animal de estimação pode trazer às crianças, tornando-as mais saudáveis e inteligentes. Com um texto primoroso e delicioso de ler e fotos belíssimas, a leitura fica fácil. E não dá para discordar de um fato: a infância com um bicho de estimação por perto fica muito mais gostosa. Só quem tem – ou teve - sabe como é bom. Quem não tem, pode experimentar. Mas nunca esqueça que um animalzinho é um ser vivo, uma vida pela qual somos responsáveis desde o momento em que é um filhote fofo até quando estiver velhinho e, ainda mais dependente de você. Um animal não é um objeto ou um brinquedo que jogamos fora, abandonamos quando nos cansamos ou quando saímos para viajar de férias ou no feriadão. E nunca é demais lembrar que maltratar também estar por fora e é crime punido por lei federal com pena de três meses a um ano de detenção.



Aí vão as 10 razões definitivas apontadas pela Revista Crescer para você ter um amigo de estimação. Ter um bicho de estimação:
1) Aumenta o senso de responsabilidade: Eles são fofos e estão sempre prontos para brincar. Mas exigem cuidados. A responsabilidade maior sempre será do pai ou da mãe, mas é possível dividir com os filhos algumas tarefas, delegando aos pequenos pequenas e divertidas obrigações, como trocar a água, brincar, não deixar os brinquedinhos espalhados pela casa;

2) Facilita a socialização: A companhia de um animal dá à criança a oportunidade de ensaiar os primeiros contatos com outras pessoas. Durante os passeios, outras pessoas vão se aproximar, pedir para tocar no animal, conversar e seu filho vai acabar interagindo também. Aproveite para ensinar ao seu filho a noção de respeito de limites. Quando o animal estiver se alimentando ou dormindo não deve ser incomodado, afinal, ninguém gosta de ser acordado no melhor momento do cochilo, né?;


Olha eu aí carregando um pequeno: olha a minha cara de felicidade

3) Fortalece o sistema imunológico: O que não faltam são pesquisas para provar o quanto essa informação é verdadeira. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) confirmaram melhora da imunidade de bebês e crianças. Segundo os cientistas, a companhia de um animal reduz as chances de desenvolver resfriados, problemas estomacais e dores de cabeça. Tudo isso acontece só de acariciar o bichinho de estimação (e acontece com adultos também!). Cientistas da Universidade da Grã Bretanha afirmaram que crianças se recuperam mais rápido de doenças rotineiras quando têm um pet em casa. Isso porque segundo explicam, os níveis de imunoglobulina A, um anticorpo presente nas mucosas que evita a proliferação viral ou bacteriana, aumentam, fortalecendo o sistema imunológico (de defesa do organismo);

4) Previne alergias: Crianças que vão para creche muito cedo ficam mais gripados ou têm infecções de garganta com mais freqüência. Se a criança tem contato com animal desde pequeno, o organismo passará a tolerar mais as reações alérgicas. Um cientista alemão comprovou a afirmação. Ele monitorou durante um tempo três mil crianças, do nascimento aos 6 anos de idade. Exames de sangue mostraram que aquelas que conviviam com cachorro dentro de casa apresentavam menos riscos de desenvolver sensibilidade a pelos, pólen, poeira e outros agentes alergênicos inaláveis do que crianças sem cães;

5) Trabalha a autoestima: Quando percebe que o animal não precisa ser perfeito para ser amado, a criança ganha mais espaço para exercitar seus sentimentos. Elas deixam seus medos e dificuldades de lado, riem, relaxam e se tornam mais tolerantes;


Eu feliz aprendendo a cavalgar

6) Torna a criança mais inteligente: Também comprovado cientificamente, as crianças que crescem na companhia de um pet possuem um desenvolvimento cognitivo, social e motor superior à média. Na etapa da alfabetização, a companhia de um animalzinho é reconfortante, pois serão referência para elas naqueles momentos em que os pais precisam chamar a atenção por algum erro;

7) Desenvolve a capacidade afetiva: A companhia de um animal mexe com o emocional, principalmente na infância, e faz nascer e crescer novos sentimentos. Cumplicidade, amizade, respeito, paciência e amor, do jeito mais sincero possível e de ambas as partes;

8) Reduz o estresse: é isso mesmo, faz bem ao coração. Enquanto abraça, brinca, acaricia o pet, o organismo diminui os índices de cortizol, hormônio do estresse, e aumenta os de serotonina, substância responsável pela sensação de bem-estar;



9) Incentiva a fazer exercícios: A caminhada, a hora dos passeios, será o ponto alto dessa companhia, tanto para a criança quanto para o animal. Pesquisa de Londres concluiu que crianças criadas em famílias com cães dão cerca de 4% mais passos que aquelas que não têm um cão em casa. Melhor que ficar o tempo todo no computador ou no play-station...

10) Ensina sobre morte: muitas vezes, o contato com o animal é a experiência mais próxima da natureza que a criança vive. Quando o bicho morre, ela passa pelo luto (e é importante que ela saiba, não é legal esconder), e é capaz de aprender da maneira dela e entender o ciclo da vida. Aproveite o momento para conversar sobre morte, para onde foi o animal.

Fonte: Revista Crescer (Outubro 2010)

domingo, 24 de outubro de 2010

“Comércio de animais em ambiente inapropriado não é forma de ganhar a vida"

A afirmação é do presidente da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Anclivepa-MG), João Carlos Toledo Jr., em entrevista ao BICHOS DE COMPANHIA


Foto: Jornal Estado de Minas

A prefeitura municipal de Belo Horizonte pode virar o jogo no que diz respeito a comercialização de animais na cidade. Enquanto continua em banho-maria na Câmara Municipal o projeto de lei PL 559/2009, da vereadora Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB), que proíbe a venda de animais no Mercado Central, o executivo deverá entregar nos próximos dias ao legislativo projeto elaborado pela equipe técnica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) que impõe normas a esse tipo de comércio e o proíbe em locais onde se vendem alimentos.
O projeto foi formulado no primeiro semestre e há quatro meses foi entregue à prefeitura. A idéia é de que seja votado como substitutivo do PL 559/09. O texto prevê normas mais rígidas e fiscalização aos estabelecimentos comerciais que vendem animais. Uma vez aprovado, os comerciantes terão 60 dias para se adaptarem às mudanças. Além da regulamentação, o projeto do executivo municipal proíbe a venda de animais em locais onde são vendidos alimentos, ampliando a vigência da lei municipal n. 7852/99 que proíbe a entrada e permanência de animal em hipermercado, supermercado, padarias e similares.

Procurado pelo blog BICHOS DE COMPANHIA, o presidente da Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais em Minas Gerais (Anclivepa-MG), João Carlos Toledo Jr. respondeu, por e-mail, às questões sobre o tema. Leia a seguir a opinião do presidente da Anclivepa-MG:



BICHOS DE COMPANHIA: O senhor tem conhecimento do projeto que será apresentado pelo executivo municipal e deverá entrar como substitutivo do atual da Câmara? Qual a sua opinião sobre o projeto e sobre sua fiscalização na prática?
João Carlos Toledo Jr.:
Com relação a este projeto, eu tenho sim conhecimento e tenho uma opinião que certamente deve ser a mesma de outros colegas. Eu relaciono este tema com o que diz respeito ao comércio de animais em locais onde também se comercializam alimentos. Sinto-me muito desconfortável com o ambiente na seção do mercado central que mantém os animais para serem comercializados. Não acredito que seja um ambiente que atenda às condições de "bem-estar animal" e várias atrocidades, com certeza, acontecem ali. Acredito que talvez por uma questão cultural e de convivência, tanto os funcionários quanto os donos dos estabelecimentos enxergam os animais somente como mercadoria e os tratam da mesma maneira. Já recebi muitos clientes que têm a mesma mentalidade, enxergam os animais pelo valor financeiro deles e não pelo real valor, que é o valor de uma vida e este valor não se mede. As coisas podem ter apresentado melhoras, em relação ao que era no passado, mas acho que não se justifica esse tipo de comércio tendo por base alguns dos argumentos apresentados pelos comerciantes, de que se pararem a venda de animais, isso vai significar perda de emprego para muitos. Eu já considero que essas pessoas, não deviam abandonar o seu trabalho, apenas deveriam mudar o objeto de suas vidas e não esperar que comercializar animais de uma maneira inadequada em um ambiente inapropriado seja uma forma de "se ganhar a vida". A maneira como o projeto se apresenta deveria ser mais exigente com relação às condições mínimas para se manter esse tipo de comércio e por meio de fiscalização ostensiva impedir quem não se adequar de praticá-lo.


Placa na entrada do Mercado Central é no mínimo controversa

Bichos de Companhia: Qual a opinião da Anclivepa-MG sobre a obrigatoriedade de se ter um responsável técnico (veterinário) nos locais onde se comercializa animais? A entidade tem conhecimento se isso tem sido cumprido ou não?
João Carlos Toledo Jr.:
A Anclivepa não tem uma posição sobre este assunto que não seja a de que a lei deve ser cumprida e a legislação obriga que se tenha um "Responsável Técnico" nesses ambientes. Até onde eu sei, o CRMV-MG (Conselho Regional de Medicina Veterinária) busca sempre fiscalizar esses locais, mas esbarra sempre nos mesmos problemas de outros órgãos públicos fiscalizadores, falta de pessoal. Mas que a coisa deve ser de modo que em cada local que se comercialize animais, tenha sim que ter um médico veterinário como responsável técnico. Agora com relação ao fato de que se isso vem sendo cumprido ou não, em alguns locais sim, outros ainda não se adequaram e podem ser encontrados médicos veterinários que assinam como Responsável técnico, mas nem mesmo ou, muito eventualmente, comparecem ao local. Coisa semelhante aconteceu no processo em que as farmácias foram obrigadas a ter um farmacêutico presente em tempo integral.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Zé Bob já tem um lar



Final feliz
Aliás, Zé Bob agora é Otto Morato I. Foi adotado nesta quinta, 21, pela nutricionista Ana Alice Morato. Esta é uma de suas primeiras fotos no novo lar. Finais felizes nos estimulam a continuar a sonhar e lutar por uma vida mais digna aos animais, contra o abandono, contra os maus-tratos e em defesa da posse responsável. Toda a felicidade pra vocês dois, Ana e Otto.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Zé Bob procura um novo dono



O Zé Bob é este gracioso filhote. Tem apenas três meses de nascido. Ele foi resgatado das mãos de moradores de rua, tomou a primeira dose das vacinas recomendadas a cães filhotes, foi vermifugado e será castrado quando estiver na idade certa, ou seja, após os seis meses de idade.
Está numa clínica veterinária, no bairro Floresta, em BH, enquanto aguarda adoção. Contato (31)9207-8350. Será feita entrevista de intenções e capacidade para criar o cachorrinho com os interessados.

**************************** A D O T A D O *****************************************
Em breve fotos da adoção. Por hora, toda a sorte do mundo para o Zé Bob, agora Otto Morato I, ao lado de sua nova dona, a Ana Alice Morato. Sejam muito felizes!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Animais: rompendo resistências e ganhando espaços de discussão


Curioso (ao lado): os animais já não estão lá, misturados aos alimentos e tudo à venda?


MOBILIZAÇÃO PERMANENTE Caros leitores deste blog, gostaria de dividir com vocês meu aifotismo ao postar ontem, do alto de minha decepção, que os animais (e nós, que os defendemos) perdemos a batalha na Câmara Municipal de Belo Horizonte durante a sessão aberta para discutir o projeto de lei 559/09, que proíbe o comércio de animais naquele estabelecimento, em mais uma discussão, no último dia 13 de setembro.
Levando em consideração as ponderações de amigos da causa, como a Adriana, do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (MMDA) e, ainda, os comentários na postagem anterior da Simone Ravazzolli, de Brasília, DF, e da Val, de BH, reconheço que a batalha não está perdida e, mais, que está só começando. E que começo! Temos de reconhecer que é um grande momento para os defensores da causa animal termos um projeto como esse incluído na pauta de assuntos da Câmara. São muitos e grandes os interesses por trás desse comércio de animais vivos, em condições deploráveis, aos olhos dos belo-horizontinos e de centenas de milhares de turistas que passaram e vão passar pelo local e levar para suas casas as piores imagens que uma cidade pode oferecer.


(Ao lado) Vende-se animal humano: protesto usa analogia


Como se não bastasse, não é um problema só de imagem. É um problema de saúde pública. Afinal, os animais ali comercializados estão ali, ao lado de alimentos vendidos aos seres humanos. Um risco flagrante de contaminação.
Curioso que a lei municipal n. 7.852/99, que proíbe a entrada de animal em hipermercado, supermercado e similar, não tenha conseguido barrar o comércio misturado de animais e alimentos no Mercado Central.
Ponto para nós, defensores dos animais: com essa discussão em âmbito legislativo conseguimos jogar luz sobre o tema e trazer à baila curiosidades como estas. E, com isso, mais alguns pontinhos a favor dos animais: ampliamos o raio da discussão, chegamos a quem mais interessa, à população. O assunto ganha as ruas: o debate está nas escolas, nas mesas de bar, no trabalho, enfim, estão todos discutindo e não mais está restrito a ambientalistas, defensores e protetores de animais. Está na imprensa, ganha espaço na mídia convencional, blogs e demais redes sociais.
Ganhamos força para prosseguirmos essa batalha. Não, não é uma batalha fácil. Há muitos interesses envolvidos, lucros em detrimento de sofrimento, no Mercado e nos pactos que mantiveram até agora esse comércio inabalável. Reparem, disse até agora, porque a partir desse momento conseguimos abalar suas estruturas e é só uma questão de tempo, de união, de persistência, de coragem para que coloquemos abaixo essa estrutura que por anos reinou sem que houvesse quem a ameaçasse. Sigamos em frente, porque o caminho é este.

Importante ressaltar que em função dessa nova forma de enxergar a questão, revigorada e pronta para novos embates a favor dos animais, reposicionei o título da postagem anterior: passei a enfatizar que a batalha está só começando. Obrigada às pessoas que abriram meus olhos e me ajudaram a refazer o ânimo, é assim que devemos nos colocar, um reanimando o outro e todos a favor de uma só causa. Traduzindo: agora, mais que nunca, é hora de nos unirmos, colocando pequenas diferenças ideológicas de lado em nome de algo maior. Afinal, mesmo com essas pequenas diferenças de ideologia, o que todos temos buscado é a mesma coisa: a relação saudável, digna, entre homens e animais.

A propósito, nesta quinta, 14, a discussão foi novamente adiada por falta de quorum(e de interesse parlamentar!). O assunto volta à pauta, às 15h desta sexta-feira,15. Continuemos mobilizados.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Animais: mais uma batalha na Câmara de Belo Horizonte

Em mais uma batalha na Câmara Municipal, o projeto de lei 559/09, que proíbe a venda de animais no mercado central de Belo Horizonte, por falta de quorum a discussão foi novamente adiada. O projeto de lei recebeu um substitutivo visando a regulamentação da venda de animais em toda a cidade. E a discussão é novamente adiada, dando mais tempo ao comércio.

Plenário lotado. A maioria, comerciantes e seus aliados. Em meio à discussão, conforme consenso entre os poucos defensores dos animais presentes, ficava claro os interesses e a manipulação inerentes à discussão mais uma vez adiada. O baixo nível e as agressões por parte dos comerciantes marcaram o tom do debate.
Há de se destacar aqui, o trabalho hercúleo da Adriana Cristina, que virou a noite preparando material, enviando e-mails para vereadores, convocando pessoas para comparecerem. O BICHOS DE COMPANHIA reconhece seus esforços e agradece sua dedicação.

Enquanto isso, segue o comércio hediondo de animais no Mercado Central de Belo Horizonte. A ala da crueldade continuará a manchar a imagem da capital mineira diante de turistas em visita à cidade. E, pior, os animais continuarão sofrendo em gaiolas apertadas, olhando por entre as grades e clamando para serem retirados dali por algum passante. E, se levados, morrer horas depois em consequência de doenças contraídas no cativeiro. Doenças que representam ameaça, inclusive, aos alimentos ali comercializados oferencendo sérios riscos de contaminação.

O espantoso é que basta tentar (eu disse tentar, porque é impossível continuar. Continuar exige dose cavalar de insensibilidade) caminhar pelo corredor onde estão expostas as gaiolas lotadas e fétidas, cheia de olhinhos sofredores e pidões de liberdade. Será que nenhum vereador se dignou a pesquisar in loco?

Pensem bem: não compre animais no Mercado Central. Não compre animais. Amigo não se compra, adota! Milhares estão à espera de donos que um dia os abandonaram. Enquanto houver compradores, a ganância dos comerciantes daquele estabelecimento não deixará o comércio (e o sofrimento) acabarem.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mobilização contra comércio de animais em BH



Esta quarta-feira, 13 de outubro, é um dia muito importante para aqueles que amam e respeitam os animais. Está na pauta de votação da Câmara Municipal de Belo Horizonte o projeto de lei que proíbe o comércio de animais no Mercado Central. Tradicional ponto turístico da cidade, o local exibe aos visitantes a pior faceta da crueldade e do horror para que esses levem de volta para as suas casas as mais terríveis recordações da capital de Minas Gerais.
A mobilização torna-se urgente. É preciso lotar o plenário da Câmara e mostrar que a população de Belo Horizonte não está de acordo com aquele comércio de horror e sofrimento. É preciso convencer aos vereadores, que ainda não se deram por convencidos por interesses particulares ocultos ou simplesmente por indiferença, de que o comércio de animais naquelas condições é nocivo à imagem de uma cidade que tem o nome de Belo Horizonte e é, ainda, uma afronta às leis sanitárias por expor os alimentos ali vendidos à contaminação, pondo em risco a saúde de cidadãos que, por assim dizer, votaram em seus representantes do legislativo.



Destacamos abaixo a coluna do jornalista Maurício Lara (mauricio.lara@uai.com.br), a respeito do assunto, publicada no jornal Estado de Minas, deste 12 de outubro. A propósito, neste dia das crianças não dê cachorro de presente. Animal é ser vivo, não é objeto para ser dado de presente. É vida que exige responsabilidades e cuidados.

Gaiolas abertas
"A Câmara Municipal tem na pauta de votação amanhã o projeto de lei que proíbe o comércio de animais no Mercado Central. O Movimento Mineiro pelo Direito dos Animais faz campanha pela internet com o mote "Mercado Central sem comércio animal" e convoca para pressão aos vereadores pela aprovação da lei que tiraria das gaiolas galinhas, pássaros, cães e gatos.
Argumenta o movimento: "Há praticamente 80 anos existe aquele comércio, que já foi considerado cultura, tradição, distração e ponto turístico para nossa capital. Entretanto, passados os anos e evoluída a humanidade, uma nova consciência - mais responsável planetariamente - já não permite mais aquele comércio de animais vivos, enclausurados e agonizantes sem luz solar, ventilação e espaço para simples deleite de nossa espécie."
O assunto é recorrente, mobiliza entidades e autoridades que têm a ver com o tema e fica cada vez mais forte a gritaria contra a ala do mercado chamada "Corredor da Crueldade". De fato, é aquela a área mais desagradável de percorrer no mercado e a representação mais emblemática está no olhar dos filhotes de cães e gatos presos atrás das grades, como a suplicar que alguém os leve dali.
O cheiro é ruim, o visual - que deveria ser; vida e alegria, pela algazarra dos bichos acaba sendo angustiante. No fundo, no fundo, o que mais incomoda são as grades e gaiolas em que os bichos ficam confinados até que alguém os compre. Os manifestantes têm razão quando protestam contra as condições em que os bichos ficam expostos à venda e ao sofrimento.
Quanto a isso, não há mais o que discutir. Risco de transmissão de doenças entre os aninais e para seres humanos, insalubridade, maus-tratos, inconveniência de vender seres vivos onde se comercializa alimentos... São argumentos fortes demais.
Mas não há como negar que a discussão precisa ir mais a fundo. Proibir o comércio no mercado não cria uma cultura definitiva e politicamente correta sobre criação e venda de animais. A pergunta é simples: os animais saem dali e vão para onde? Ou a intenção é acabar de vez com a possibilidade de haver comércio de bichos?
Há técnicas, normas e possibilidades suficientes para exigir dos comerciantes do Mercado Central ou de qualquer lugar que mantenham instalações decentes e capazes de dar resposta aos argumentos contra o que lá existe hoje. No mercado, estamos todos vendo a realidade.
O problema do mercado é que a situa¬ção se arrastou, não houve mudanças significativas e, agora, fica difícil defender. Aí, vão cortar a raiz do mal ali. mas as raízes estão fincadas em muitos outros lugares. Quem garante que um pet shop qualquer vá oferecer condições saudáveis de confinamento de animais à venda? E se pensarmos onde ficam durante a semana, por exemplo, os bichos oferecidos na periferia da feira da Afonso Pena aos domingos? Simplesmente, não se sabe.
Em uma primeira análise, seria muito mais fácil para a autoridade pública e para os defensores dos animais fiscalizarem o corredor do Mercado Central do que ter de olhar casos e casos espalhados pela cidade. Então, mesmo se os comerciantes do mercado perderem a batalha amanhã, o assunto estará longe de ser resolvido. A toca é muito mais embaixo. Há uma infinidade de gaiolas precisando ser abertas e muito menino sonhando ter um cachorrinho, comprado no mercado ou em outro lugar qualquer."

sábado, 9 de outubro de 2010

Zé Bob: filhote esperto procura um dono



Oi, gente! Peguei este "rapazinho" aí das fotos, o Zé Bob, das mãos de um morador de rua. Estava voltando do trabalho e quando me deparei com a cena pensei que não poderia deixar aquele pequeno ali, vivendo naquelas condições, correndo riscos. Levei-o pra clínica do Marcelo (rua Aquiles Lobo, na Floresta). Foi vermifugado e já tomou a primeira dose da vacina. Vou vê-lo com frequência, pois, assim ele exercita o potencial moleque dele e sai um pouco da gaiolinha onde está até que apareça alguém de boa índole e especial para adotá-lo. Ele é realmente fofo demais, moleque, esperto, dá pulinhos chamando pra brincar. Merece uma adoção feliz. Aliás, todos os demais, né? Mas, voltando ao Zé Bob, procuro alguém especial para dar a ele a chance de ter um lar e ser feliz. Olhem só o apelo dele:

Olá, sou o Zé Bob. Tenho três meses de idade. Já estou vermifugado e tomei a primeira dose das vacinas. Vivia nas ruas e agora procuro um dono pra brincar e cuidar de mim. Sou muito serelepe, também ainda sou filhote, né? Você sabia que eu já aprendi até a dar sinal? Sou muito esperto. Estou aguardando por você para me buscar lá na clínica da rua Aquiles Lobo, na Floresta. Quer me adotar? Ligue para (31)9207-8350.

Contato de criança com animais de estimação é benéfico

A propósito, destaco uma indicação de leitura. Trata-se de um lançamento em espanhol, divulgado pela revista Psychologies, edição n. 64, com circulação na Espanha e em Portugal: o livro Los niños necesitan animales de compañia (As crianças precisam de animais de estimação/companhia), de Dieter Krowatschek. Resumo da obra: O livro fala de valores como lealdade, companheirismo e respeito, características que podem ser facilmente encontradas neles, nos animais de companhia, de estimação. Se por um lado, muitos pais se assustam com a possibilidade de ter um animal em casa junto com os filhos, por outro, é fato comprovado que as crianças que tem um mascote são mais equilibradas, resistentes e tolerantes que aquelas que não têm. O livro fala do quão vantajoso pode ser o contato entre a criança e o animal em casa e oferece ao leitor várias dicas para descobrir o mascote certo para cada tipo de criança, partindo do princípio da responsabilidade compartilhada pela criança e sua família em relação aos cuidados que se deve ter com um animal ao longo de toda a sua vida.

Quem disse que um cãozinho e um gatinho não podem ser amigos. Cenas de carinho explícito. Muito fofo!

Proibição de comércio de animais esbarra em falta de quorum em BH

Vereadores de Belo Horizonte abandonaram o plenário durante importante votação do projeto de Lei 559/2009, da vereadora Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB) que propõe a proibição da venda de animais no Mercado Central, tradicional ponto turístico da capital mineira. A falta de quorum acabou por inviabilizar a votação que contou com sessão lotada por ativistas e defensores da causa animal e esvaziada pelos parlamentares.
A sessão chegou a contar com 30 vereadores, nove a mais que o número mínimo necessário para a votação do PL em plenário, mas terminou apenas com 11 parlamentares, fato que provocou o adiamento da discussão para a próxima quarta-feira, 13.



Bom é flagrante que os interesses comerciais se sobrepuseram, deixando claro o comprometimento dos vereadores de BH com os comerciantes do Mercado Central apesar de todo o clamor da população e defensores dos animais pelo fim do comércio. Um comércio que chega a ser hediondo. Medonho. Se os vereadores estivessem realmente comprometidos com melhorias na cidade (e esse comércio depõe contra a imagem da capital mineira num importante ponto turístico), bastaria uma caminhada pela ala dos animais naquele estabelecimento – um corredor de sofrimento, fedor, horror, tristezas. Bastaria a simples observação por parte desses ilustres membros do legislativo. Sequer seria necessário depoimentos de terceiros ou imagens.
Fotografar é proibido Aliás, este é um ponto crucial. Um calcanhar de Aquiles, por assim dizer. Fazer imagens dessa ala no Mercado Central é terminantemente proibido. Um amigo, ex-aluno de uma escola de fotografia, teve aulas práticas no Mercado. E a primeira recomendação era de que os alunos não infringissem a proibição imposta à escola que teve permissão para fazer as fotos no local desde que nenhum aluno, sob nenhuma hipótese, fotografasse a ala dos animais e ala onde ficam os terminais eletrônicos de bancos.



E, diante disso, vêm os comerciantes do Mercado (os que vendem animais em condições deploráveis) alegarem em causa própria que os ativistas possuem imagens antigas e que a realidade hoje é outra. Se é outra, então porque não permitem as fotografias até para comprovar sua tese-defesa?
Verdade seja dita, entre os próprios defensores de animais há um racha, fato que acaba, inclusive, por contribuir para enfraquecer a causa e fortalecer os argumentos pífios dos comerciantes da ala de venda de animais (que, a partir do comportamento dos parlamentares, é possível depreender que apóiam por interesses escusos ou nem tanto esses vendedores de horror, torturas, sofrimentos e maus-tratos). Explica-se: uma parte (na minha opinião, bastante sensata) dos defensores defende que a proibição à venda de animais deve abranger outros estabelecimentos, ou seja, toda a cidade.



Ao restringir à proibição somente ao Mercado Central acaba por soar preconceituoso com o estabelecimento, apesar das evidentes condições ao simples caminhante pela ala dos animais, e, até em termos legais, antidemocrático. E, na prática, inócuo, pois, uma vez proibida a venda no Mercado, outros abusos continuarão sendo cometidos contra os animais em outros lugares até menos freqüentado e público.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Vacinação: muito além da raiva

A propósito da polêmica em torno da vacina antirrábica da última campanha pública de vacinação, o blog BICHOS DE COMPANHIA postou aqui uma enquete para saber como as pessoas têm vacinado seus cães e gatos: em clínicas veterinárias ou em campanhas públicas, se vacinavam somente contra a raiva ou também contra outras doenças. E o resultado foi bastante estarrecedor, como ainda pode ser verificado ao lado (ver enquete) e, como já supúnhamos a respeito da criação de animais sob preceitos de posse responsável.

( BH, 07/10/2010, 23h17) Notícia de última hora: Ministério da Saúde suspende vacinação em todo o país em virtude de reações adversas e mortes de animais. Leia notícia completa em http://passeioscomcaes.blogspot.com/(Fonte da informação: Portal G1.com)



REAÇÕES ADVERSAS Pois bem, muita gente só vacina seus cães e gatos em campanhas públicas. Nada contra a vacinação pública (ainda que este ano a reação adversa provocada pela troca de fabricante da vacina era motivo de cautela por parte de donos e, sobretudo, das autoridades públicas que, em Belo Horizonte, pelo menos, mantiveram o calendário de vacinação inalterado mesmo com as várias mortes e reações causadas em animais em outros estados). Um morador do bairro Padre Eustáquio, em BH, postou aqui neste blog que seu gato siamês, de três anos e meio, teve reação à vacina antirrábica aplicada durante a campanha da prefeitura, no último dia 18 de setembro. Segundo ele, teve sonolência intensa, seguida de febre por oito horas ininterruptas. Felizmente, está vivo.

A mesma sorte não teve outro leitor, dono de um cão também vacinado na última campanha da PBH, que após a vacina teve febre, vômito, diarréia, foi internado, mas não resistiu. Ambos, após a experiência traumática, decidiram que nunca mais vacinarão seus animais em campanhas públicas.
O grande problema é que quem só vacina em campanha, só vacina seus animais contra a raiva, uma zoonose, ou seja, doença transmissível ao homem.
Os cães E GATOS, porém, necessitam de outras vacinas importantíssimas que não devem ser em hipótese alguma negligenciadas. Quem não tem competência que não se estabeleça. Trocando em miúdos: se não tem condições financeiras e psicológicas de ter um animal sob os seus cuidados, não tenha. Se tem, cuide como deve. Isso é posse responsável.

VACINAS Em suas primeiras semanas de vida, os filhotes são protegidos contra diversas doenças infecciosas pela substância imunológica da mãe. O leite da cadela provê a proteção necessária. À medida que os filhotes crescem, faz-se necessária uma proteção por meio de vacinas. Os cães devem ser regularmente vacinados contra raiva, hepatite, leptospirose, cinomose, parvovirose, coronavirose, peneumonia (traqueobronquite) e giardíase. Em cerca de 14 semanas, essas vacinas, que são básicas, devem ser repetidas. Enquanto filhotes, são três doses de vacinas. Uma vez adultos, os cães e gatos devem ser vacinados anualmente contra todas essas doenças e não somente contra a raiva, a única vacina fornecida gratuitamente pelas campanhas das prefeituras municipais. As demais vacinas, denominada déctupla, devem ser tomadas em clínicas veterinárias.

SAÚDE ANIMAL Os cuidados com a saúde demandam vacinas, que devem ser tomadas regularmente, e tratamentos contra verminoses. A qualquer indício de uma doença mais séria, deve-se consultar o veterinário. Essa recomendação vale para todas as raças, inclusive, as mestiças, ou seja, os populares “vira-latas”.

Fonte: Cães – Comportamento, alimentação e cuidados. Animais em casa. Editora Melhoramentos.