Tem um e-book grátis que vai falar tudinho pra você sobre os nossos cães vira-latinhas. Link neste blog.

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sábado, 29 de maio de 2010

Por que não cuidar de crianças? * (**)

* Texto de autoria desconhecida.



Foto e mensagem recebidos por e-mail em 29/05/2010, como newsletter do Instituto Nina Rosa - projetos por amor à vida(www.institutoninarosa.org), e que compartilho aqui com os leitores do BICHOS DE COMPANHIA.

Resposta à pergunta de algumas pessoas

Uma pergunta reincidente. No início aborrecida, hoje, na opinião do BICHOS DE COMPANHIA, digna de pena a quem insiste em perguntá-la.


Questão interessante. Vamos ver se essa eu consigo responder de modo didático.

1) Quem faz esta pergunta admite que existem dois tipos de pessoas no mundo: As Pessoas Que Ajudam e as Pessoas Que Não Ajudam.



Além disso, admite também que faz parte das Pessoas Que Não Ajudam, afinal, do contrário, diria "Por que não me ajudam a defender as crianças com fome?", ou "Venham defender comigo as crianças com fome!", ou "Não, obrigada, vou defender as crianças com fome".


Então ela se coloca claramente através de sua escolha de palavras como uma Pessoa Que Não Ajuda.



É curioso a Pessoa Que Não Ajuda, não faz nenhum esforço para ajudar, mas, sim, para tentar dirigir as ações das Pessoas Que Ajudam. É bastante interessante. Se eu fosse até sua casa organizar sua vida financeira sob a alegação de que eu sei muito mais sobre administração familiar eu estaria interferindo, mas ela se sente no direito de interferir nas ações que uma pessoa resolve tomar para aliviar os problemas que ela encontra ao seu redor.


É uma Pessoa Que Não Ajuda, mas ainda assim quer decidir quem merece ajuda das pessoas Que Ajudam e o nome disso é "prepotência" .

2) Pessoas Que Ajudam nunca vão ajudar as "crianças com fome". Nem tampouco os "velhos", os "doentes" ou os "despossuídos" . E sabe por que?


Porque "crianças com fome" ou "velhos" ou qualquer outro destes é abstrato demais. Não têm face, não são ninguém. São figuras de retóricas de quem gosta de comentar sobre o estado do mundo atual enquanto beberica seu uisquezinho no conforto de sua casa.


Pessoas Que Ajudam agem em cima do que existe, do que elas podem ver, do que lhes chama atenção naquele momento. Elas não ajudam "os velhos", elas ajudam "os velhos do asilo X com 50,00 reais por mês".


Elas não ajudam "as crianças com fome", elas ajudam "as crianças do orfanato Y com a conta do supermercado" .


Elas não ajudam "os doentes", elas ajudam o "Instituto da Doença Z com uma tarde por semana contando histórias aos pacientes".


Pessoas Que Ajudam não ficam esperando esses seres vagos e difusos como as "crianças com fome" baterem na porta da sua casa e perguntar se elas podem lhe ajudar.


Pessoas Que Ajudam vão atrás de questões muito mais pontuais.


Pessoas Que Ajudam cobram das autoridades punição contra quem maltrata uma cadela indefesa sem motivo.


Pessoas Que Ajudam dão auxílio a um pai de família que perdeu o emprego e não tem como sustentar seus filhos por um tempo.


Pessoas Que Ajudam tiram satisfação de quem persegue uma velhinha no meio da rua.


Pessoas Que Ajudam dão aulas de graça para crianças de um bairro pobre.


Pessoas Que Ajudam levantam fundos para que alguém com uma doença rara possa ir se tratar no exterior.


Pessoas Que Ajudam não fogem da raia quando vêem QUALQUER COISA onde elas possam ser úteis. Quem se preocupa com algo tão difuso e sem cara como as "crianças com fome" são as Pessoas Que Não Ajudam.

3) Pessoas Que Ajudam são incrivelmente multitarefa, ao contrário da preocupação que as Pessoas Que Não Ajudam manifestam a seu respeito. (Preocupação até justificada porque, afinal, quem nunca faz nada realmente deve achar que é muito difícil fazer alguma coisa, quanto mais várias).


O fato de uma pessoa Que Ajuda se preocupar com a punição de quem burlou a lei e torturou inutilmente um animal não significa que ela forçosamente comeu o cérebro de criancinhas no café da manhã. Não existe uma disputa de facções entre Pessoas Que Ajudam, tipo "humanos versus animais".


Geralmente as Pessoas Que Ajudam, até por estarem em menor número, ajudam várias causas ao mesmo tempo. Elas vão onde precisam estar, portanto muitas das Pessoas Que Ajudam que acham importante fazer valer a lei no caso de maus-tratos a um animal são pessoas que ao mesmo tempo doam sangue, fazem trabalho voluntário, levantam fundos, são gentis com os menos privilegiados e batalham por condições melhores de vida para aqueles que não conseguem fazê-lo sozinhos.


Talvez você não saiba porque, afinal, as Pessoas Que Ajudam não saem alardeando por aí quando precisam de assinaturas para dobrar a pena para quem comete atrocidades contra animais, que estão fazendo todas estas outras coisas, quase que diariamente. E acho que é por isso que você pensa que se elas estão lutando por uma causa que você "não curte", elas não estão fazendo outras pequenas ou grandes ações para os diversos outros problemas que elas vêem no mundo. Elas estão, sim. E se fazem ouvir como podem, porque sempre tem uma Pessoa Que Não Ajuda no meio para dar pitaco.

Então, como dizia meu avô, "muito ajuda quem não atrapalha". Porque a gente já tem muito trabalho ajudando pessoas e animais que precisam (algumas até poderiam ser chamadas tecnicamente de "crianças com fome", se assim preferem os que não ajudam).


**(este texto pode e deve ser reproduzido) Escrito em 13.04.2005

sábado, 22 de maio de 2010

Poodle: ter ou não ter, eis a questão


Pepê e Kika - duas das três donas deste blog.A Pepê, por exemplo, foi resgatada do Arrudas e hoje é minha pupila amada. A Kika nasceu em berço de ouro e morreu em meio ao mesmo carinho, não conheceu o abandono e muito menos maus-tratos. 





Em detalhe: Maria, uma poodle mestiça resgatada no final de semana pelo ativista Franklin Oliveira, em Belo Horizonte. Leve-a para casa e a faça feliz

“Há de se refletir: nos Estados Unidos, maior pólo criador de cães do mundo, ao redor de 21 mil poodles nascem e recebem pedigree a cada ano. Também a cada ano, de 3 a 5 mil poodles são abandonados pelos donos nos centros de resgate da raça daquele país. No Brasil, a situação não é diferente. A raça, infelizmente, já é facilmente encontrada vagando pelas ruas ou recolhidos em abrigos para cães abandonados. Só para se ter uma idéia, os cães que ilustram esta postagem, todos poodles ou mestiços da raça, estiveram ou ainda estão em busca de novos lares, de novos donos, em Belo Horizonte. Milhares de pessoas que em algum momento querem esse cão desistem dele no meio do caminho. O poodle típico é um dos cães mais agradáveis e fáceis de conduzir da espécie canina. Ao contrário de tantas raças, tem perfil compatível com o estilo de vida de muita gente. Claro, uma parcela dos exemplares que, da noite para o dia, perdem seus lares podem vir a apresentar desvios comportamentais, afastando-se daquilo que pode ser definido com um bom poodle (deve ser reflexo do trauma do abandono). Outra parcela não. Comporta-se tal qual se espera da raça. Em ambos os casos, apenas uma vítima: o cão. Em ambos os casos, apenas um culpado: quem o leva para a casa. Em plena era da informação, não há desculpas. Está ao alcance de todos pesquisar as características da raça para avaliar a compatibilidade entre ela e quem pretende adotá-la.
O trecho foi descrito da edição 372, de maio de 2010, da revista Cães & Cia (com adaptações do blog em itálico). A revista trouxe uma reportagem completa sobre o perfil da raça e o blog BICHOS DE COMPANHIA destaca, ainda, os prós e contras elencados pela matéria, na visão de uma criadora particular apaixonada pela raça, de uma criadora profissional, de uma médica veterinária e da presidente e fundadora de um centro norte-americano de resgate de poodles". Vejam, reflitam e divulguem.



Maria, em busca de adoção: hoje, desengonçada, triste, suja. Amanhã, transformada por um bom banho, carinho e atenção.

Por que ter e quem não deve ter?:
1) Proprietária particular Maria Lúcia Ortiz Cardim, de SP: Por que ter? porque são amorosos e companheiros, alegram nossa vida, são brincalhões e serelepes. Quem não deve ter? aqueles que preferem cães que não solicitam atenção, criança pequena (em especial o Toy, que é mais frágil e delicado e quem não pode cuidar bem da pelagem.
2) Criadora profissional Marilena Cappobianco Gibbon: Por que ter? porque são sociáveis com pessoas e outros cães, são fáceis de acomodar e transportar. Quem não deve ter? aqueles que querem criar uma raça descomplicada quanto à pelagem, quem não tem tempo para dar atenção ao cão, quem tem filho pequeno (sobretudo, no caso do toy).
3) Vet Rocio Nadal, de SP: Por que ter? por ser longevo (há poodles que podem chegar a 20 anos), porque a maioria dos males de saúde pode ser evitada com o manejo certo. Quem não deve ter? quem não tem tempo para cuidar da pelagem (a falta desse cuidado pode ocasionar sérios problemas de pele), quem tem criança pequena.
4) Fundadora e presidente de um centro norte-americano de resgate de poodles, Daryl Masone: Por que ter? porque é mais companheiro, é fácil de educar e versátil. Quem não deve ter? quem tem filho pequeno, quem não tem condições de cuidar da pelagem e quem deixa o cão sozinho muito tempo. O poodle é um autêntico cão de companhia, faz questão de ficar perto de seu dono e pede atenção.

Fica aí a dica: vale a pena ler a matéria completa na edição de maio de Cães & Cia.




Todos os poodles acima estiveram ou ainda estão para adoção

terça-feira, 18 de maio de 2010

Cherry procura um lar




A Cristiana, de BH, resgatou a linda Cherry (fotos postadas). Trata-se de uma pura mesticinha, ou seja, sem raça definida. Tem entre 3 a 4 meses de idade, está vermifugada e com as vacinas todas em dia. Ela tem a castração garantida para quando ela completar 6 meses de idade. "Esta fofura é muito carinhosa e brincalhona. A Cherry está esperando por uma família que lhe dê muito amor e carinho e que cuide muito bem dela", observa a Cristiana. Os contatos para adoção: cristianasantosbh@yahoo.com.br ou pelo tel. (31) 92279108.

sábado, 15 de maio de 2010

Desculpas esfarrapadas: cachorro não é brinquedo



É muito comum para mim e outras pessoas que gostam, cuidam ou trabalham com animais, especialmente os cães e os gatos, recebermos todos os dias centenas de e-mails de pessoas que desejam doar seus bichos, ora de estimação, pelos motivos mais torpes e, pior reincidentes. São desculpas escrachadas, esfarrapadas, utilizadas por pessoas que querem se livrar de seu cão, do seu gato, papagaio ou qualquer que tenha sido o animal, um dia levado para o convívio familiar. Desculpas motivadas por questões que poderiam ter sido avaliadas antes, com a responsabilidade que o ato de se adquirir, por meio da adoção ou da compra, exige, simplesmente, porque estão em jogo vidas, dos bichos, e dos humanos, a quem cabe não somente desfrutar da alegria da convivência com um animal, mas, principalmente, os encargos dessa vida compartilhada com um ser de quatro patas ou de penas.

Dentre essas desculpas reincidentes, eis as mais comuns: “moro num apartamento pequeno” (então, porque não se lembrou disso antes de levar o animal para lá!), “vou me mudar e na minha nova casa não tem espaço para meu cachorro” (vai jogar metade de seus pertences ou até mesmo seus filhos fora porque não cabem na nova casa?), “estou grávida e quero doar minha cadelinha de um ano” (Depois de um ano de convivência não restou um pingo sequer de apego e zelo pelo animal? Quem disse que criança não combina com cachorro? E, mais, quando seu outro filho nascer, vai doar o primeiro também?). A motivação campeã é “meu cachorro faz muita bagunça, não quero ficar com ele mais” (porque não pensou nisso antes, não buscou informações?). Cachorro não é um brinquedo ou uma roupa que saiu de moda para ser jogado fora como se não tivesse vida. Antes de ter um animal, busque informações com amigos, com médicos veterinários, converse com a família, pese os prós e contras.




Reflita e decore, se necessário, as dicas abaixo para nunca esquecer:

1) Filhotes crescem, não ficam pequenos pra toda vida, assim como as crianças. Pense no espaço antes, bem antes! Porque filhotes crescem rápido. Labradores fofinhos e outros cães ficam enormes e precisam de muito espaço. Depois, não descarte dizendo que ele "cresceu muito". Se você tem um filho menor e acha normal abandonar, então, imagine-se por um momento fazendo isso com a criança, afinal, seu filho também vai crescer.

2) O filhote comeu o chinelo? Sabia que adotar um animal adulto dá muito menos trabalho? Viu a importância de se buscar informações antes? Só tenha um filhote se você tiver a paciência de quem cuida de um bebê humano. Crianças também quebram coisas e rabiscam paredes. mas você sabe que quando crescerem as coisas vão mudar. Com os animais é a mesma coisa.

3) Crianças "adoram" animais. Por isso, antes de comprar por impulso durante um passeio ao shopping, pense se você também gosta e se está disposto a ter trabalho, cuidar, limpar, alimentar e amar. Animais fazem xixi e cocô, assim como os humanos, adoram passear também. Nas ruas há muitos animais abandonados porque os filhinhos enjoaram do bichinho que o pai comprou. Crianças que "enjoam" muito fácil dos presentinhos, só devem ganhar carrinho ou boneca. E cachorro não é brinquedo, lembra?

4) Seu filho adora "brincar" com o cachorro: joga, chuta, enforca e você acha bonito e se diverte. O que você acharia de alguém fazendo isso com o seu filho pequeno que também é um ser indefeso e sente dor? Um dia a vida ensina, dá o troco, e você pode nem estar por perto de seu filho quando alguém resolver ensinar o que você não ensinou ...

5) Filho alérgico? Então, tire da sua casa as cortinas, os tapetes, os brinquedos cheios de poeira. Quem sabe se o problema não é o seu próprio cigarro? Não comece se livrando do cachorro, muitas vezes, o problema maior nem é ele. Não jogue toda a culpa em cima dele. Até porque, animais costumam fazer parte da cura e, não da doença. É por isso que existem terapias com animais em hospitais e o resultado é bastante positivo. Comece se livrando do que não tem vida. Pare de fumar.

6) Cachorros não são como roupa, que entram e saem da moda. Não se tem um cachorro porque está na moda esta ou aquela raça. Quem acha que eles são coisas, objetos, deve comprar um de bicho de pelúcia que, quando sair de moda pode ser trocado, doado ou mesmo jogado fora (embora valha a pena, doar para quem não tem condições de ter um).Bicho de pelúcia nunca vai sofrer a dor do abandono (e também nunca vai amar você, mas talvez você nem repare).

7) Cachorro não é presente de aniversário, nem de dia das crianças, nem de Natal, nem de dia nenhum. Presenteie com coisas, objetos. Não são todas as pessoas que estão dispostas a cuidar de uma vida por isso nunca dê animal de presente: às vezes mal cuidam da própria vida. Se o animal não for bem-vindo pelo presenteado (ou pelos donos da casa), você colocou o bichinho numa “gelada”. O que será dele a partir do momento que estiver na casa do presenteado? Você vai levá-lo pra sua casa?

8) Você ainda não tem filhos? Cachorro não é brinquedo e nem filho. Alguns casais suprem suas carências com um animalzinho. Quando vem uma gravidez, o “filhinho mais velho” ganha o olho-da-rua. Se você não é capaz de amar em conjunto o bebê que vai chegar e o animal que sempre foi seu companheiro, então não tenha bicho nenhum. tenha só o seu filho e eduque-o bem, tente mostrar que todos os seres vivos merecem ser amados. Saiba que, em geral, bebês adoram cães.

9) Tem o hábito de viajar e quer ter um animal? Então, tenha certeza que poderá levá-lo junto com você ou que poderá pagar um hotelzinho ou alguém pra cuidar dele na sua ausência. Se você acha que bicho não passa fome, nem frio e nem medo, experimente ficar só um dia sem comer, sem beber e depois durma no quintal, no chão frio. Sinta na pele a experiência.

10) Você não quer mais o seu animal? (como assim, "não quer"??!!). Então, não doe para o pedreiro nem para a sua empregada. Certamente, eles não tem condições ideais para cuidar dele. Castre-o (já deveria ter castrado há muito tempo!) e procure um ótimo dono pra ele(a). Ele não invadiu sua casa. Está lá porque você o levou pra lá. Ele não vai entender e vai sofrer se não for recolocado num ótimo lar. E, lembre-se: se não quis este, faça o favor de não querer mais nenhum.

11) Seu animal ficou velho? Não é mais tão bem disposto? Cuide dele até o fim. Dê qualidade de vida e tenha paciência. Ame-o sempre. Há muitos seres humanos idosos abandonados em asilos fétidos, doentes e esquecidos pela própria família. Morrem se perguntando o que teriam feito pra merecer isso ou aquilo, esquecem-se de que na vida tudo tem volta. Imagine um animal que, sequer tem condiçoes de falar.... Assuma sua responsabilidade até o fim. Não seja covarde, pois a vida pode lhe cobrar caro pela atitude covarde do abandono.

Fonte: e-mail recebido com adaptações minhas e edição


"Pense duas vezes antes de adotar um cão ou gato, pense um milhão de vezes antes de abandonar aquele que só lhe deu amor e mude de idéia"
Luisa Mell

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Maus-tratos aos animais: não se omita, denuncie!

Caso você veja ou saiba de maus-tratos cometidos contra qualquer tipo de animal, não pense duas vezes: vá a delegacia de polícia mais próxima para lavrar boletim de ocorrência ou, se preferir, compareça ao Fórum para orientar-se com o Promotor de Justiça (Promotoria de Justiça do Meio-Ambiente. A denúncia de maus-tratos é legitimada pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais). É importante levar com você uma cópia do número da Lei (no caso, a 9.605/98) e do Art. 32 porque, em geral, as autoridades policiais nem tem conhecimento dessa legislação. Leve também o Art. 319 do Código Penal, caso a autoridade se recuse a abrir o Boletim de Ocorrência. Afinal de contas estamos no Brasil, e se os próprios cidadãos deste País sofrem com o descaso de muitas autoridades, imagine os animais!



Foto: Tico Torres (Exposição Fotográfica Bichos de Rua: Filhos do Abandono)

"Artigo 32 da Lei Federal nº. 9.605/98
È considerado crime praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, doméstico ou domesticados, nativos ou exóticos.
Pena - Detenção de 3 (três) meses a 1 (um) ano e multa.
Parágrafo 1°. - Incorre nas mesmas Penas quem realiza experiência dolorosa ou cruel em animais vivos, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos.
Parágrafo 2°. - A Pena é aumentada de 1 (um) terço a 1(um) sexto, se ocorrer a morte do(s) animal(s)."


Os atos de maus-tratos e crueldades mais comuns são:

* abandono;
* manter animal preso por muito tempo sem comida e contato com seus donos/responsáveis;
* deixar animal em lugar impróprio e anti-higiênico;
* envenenamento;
* agressão física, covarde e exagerada;
* mutilação;
* utilizar animal em shows, apresentações ou trabalho que possa lhe causar pânico e sofrimento;
* não procurar um veterinário se o animal estiver doente;

Englobam-se os animais domésticos mais comuns como cães, gatos e pássaros, também cavalos usados em trabalho de tração (aquelas carroças muito comuns nas ruas de grandes cidades), além de animais criados e domesticados em sítios, chácaras e fazendas. Animais silvestres estão inclusos nessa Lei, possuindo também Leis e Portarias próprias criadas pelo IBAMA.

Fonte: SABE – Sociedade Amiga dos Bichos e da Ecologia

domingo, 2 de maio de 2010

"Lembrei de você"

Marlene Nascimento *
A eficiência de uma pessoa que trabalha na causa animal não deve ser medida pelo número de animais que esta pessoa possui ou que recolheu, cuidou, esterilizou e doou, mas sim pelo número de pessoas que ela conseguiu fazer com que tomasse esta atitude.

Muitas pessoas se julgam protetoras porque salvaram, doaram ou adotaram algumas dezenas de animais que estão em suas casas ou foram doadas. Essa atitude é válida e merece nossa consideração. São poucos os seres humanos que doam seu tempo e seu dinheiro para salvar uma vida. Menos ainda quando se trata de um animal em situação de rua, que é considerados por muitos como uma ameaça à saúde pública.

Por outro lado, ao nos sensibilizarmos com o sofrimento de um animal, devemos tomar o cuidado com a atitude de querer salvar todos os animais do mundo, criar uma culpa interna e perpetuar atitudes de tomar o lugar dos outros.

EXEMPLOS PRÁTICOS, SIMPLES E REAIS:
• Toda vez que seus amigos encontram um problema com animais, o que é que eles fazem? Ligam rapidamente para você, relatam o caso e você sai correndo para ajudá-los.
• Toda a vez que algum amigo “precisa” se desfazer de um animal, você fica “doido(a)” procurando um novo dono para o mascote antes que ele o jogue na rua.
• Sempre que algum conhecido deixa sua cadela ter uma cria, você é a pessoa contatada para ajudar nas doações. E, muitas vezes, até paga a esterilização da cadela.
• Quando um animal adoece, de quem seus amigos lembram?
• Quando acontece uma tragédia com animais, qual a pessoa que todos vão lembrar de ligar para relatar, nos mínimos detalhes, o acontecido dizendo: "Lembrei de você!"
• Quantos animais são abandonados na porta de sua casa?
• Parabéns! Você realmente é uma pessoa solidária, tem muitos amigos e, com certeza, cada vez mais você terá pessoas que vão lembrar de você.
E VOCÊ?
• E a sua vida, como está? Sua conta bancária, como anda? Como você dorme à noite com tantos telefonemas que começam com "lembrei de você!"?
• Você não está se sentido cada dia mais impotente frente ao grande número de acontecimentos tristes que você toma conhecimento?
• Nós amamos os animais, mas o primeiro ato de amor é o não-prejuízo. Esteja atento(a), pois atitude justa é aquela que melhor se ajustar à situação precisa. O amor sem justiça corre o risco de ser apenas emotivo, não criando melhores condições de vida para todos os seres.
• Se você esta “resolvendo” o problema de seus amigos, você esta ajudando muito mais a eles do que aos animais. E ainda criando uma situação desgastante para você. Ajudar não é fazer as coisas em lugar de outro, e sim permitir que estes se saiam bem sozinhos. Se não, criamos um ciclo vicioso de dependência. PENSE BEM:
• Se você pode, seus amigos (ou as pessoas que te ligam) também podem!
• Se você fizer por eles, esta tirando a oportunidade de eles mesmos fazerem o bem. Atos não-justos que aprecem à nossa frente são para nos ensinar, para nos levar a tomar uma atitude justa. E atitude justa não é chamar alguém para tirar o problema da sua frente, mas sim resolvê-lo.
• Se você resolver os problemas se seus "amigos", você vai ter tantos “lembrei de você” que sua vida se tornará um caos. E um dia, não poderá ajudar todos os “amigos” que te procuram. E os animais continuarão sofrendo.
Antes de amar os animais, você tem que amar a si mesmo(a).



Mosaico fotográfico com animais resgatados e disponibilizados à adoção por protetores diversos


COMPAIXÃO, SABEDORIA, SOFRIMENTO E INDIGNAÇÃO:

A compaixão sem sabedoria pode nos tornar apenas ativistas cheios de boa vontade, mas também sem discernimento e profundidade. Isso pode ser uma fonte inesgotável de sofrimento. A nossa atitude de fazer o bem no lugar de outros nos leva a um grande sofrimento tamanha é a quantidade de problemas que chegam até nós.
Sofrimento existe. Ele não depende de nós. O que depende de nós é a atitude de não cultivarmos este sentimento e esta dor de tal maneira que nos impeça de tomar atitudes coerentes. Há bastante sofrimento no mundo. É inútil acrescenta-lhe o nosso. Constatá-lo sem a possibilidade de transformá-lo não muda nada. O mesmo acontece com a indignação. Não adianta é indignar-se sem uma atitude para a mudança. Isso não passa de um movimento emocional estéril.
O amor, a compaixão, o sofrimento e a indignação são sentimentos que podem transformar o mundo para melhor se usados com sabedoria.

VAMOS APRESENTAR A SITUAÇÃO DE OUTRA MANEIRA:
• Em vez de escolher a vitimização e o desespero, vamos escolher a inteligência e a esperança.
• Você não é culpado pelo sofrimento do mundo. Cada vez que um amigo ligar para você pedindo ajuda, aproveite a oportunidade de dizer para ele como fazer o bem. Isso faz bem!
• Também fale a ele o quanto você é feliz podendo dormir tranqüilamente por saber que faz a sua parte e como é importante que ele também o faça.
• Ensine-o a se sair bem sozinho e não faça o bem no lugar dele. Acredite, muitos vão agir e a satisfação por salvar uma vida é algo indescritível. É contagioso. E logo teremos um exército de pessoas agindo na causa animal.

ESTIMULE A AÇÃO DAS PESSOAS BOAS
Corremos o risco de não agradar algumas pessoas, mas estas são do tipo que derramam uma lágrima e tranquilizam a consciência. São as que acham que o mundo não tem solução e não fazem nada para melhorar.
Não fique focado nelas. Leve sua atenção para as pessoas do bem. Você vai ser sentir mais feliz e otimista e vai ter discernimento para saber quando a sua ajuda é necessária.

Não se preocupe: 99% das pessoas são boas. O problema é que as pessoas boas estão ficando de braços cruzados. E esta na hora de serem estimuladas a agir.
Nada como um animal em sofrimento para mobilizar grandes grupos. A maioria fica só no passo da indignação e do sofrimento, mas sempre aparece alguém que toma uma atitude.

Tomar uma atitude não é ligar para amigos, para os órgãos públicos, para as protetoras, para o presidente da República.
Tomar uma atitude é fazer o que tem que ser feito, mesmo que tenha que gastar nosso tempo e dinheiro.

PENSE MAIS:
O importante na causa animal é não perder o hábito de pensar. É não perder a esperança e focar nas coisas boas que estão acontecendo. Não estamos mais sós. Muitos foram tocados e estamos em pleno processo do despertar do coração.
A boa notícia é: ninguém precisa esperar nem mais um instante para participar desta mudança, basta mudar a si mesmo e, depois, pensar em mudar o mundo.

*Marlene Nascimento é médica veterinária, especialista em Saúde Pública, fundadora e presidente do Clube Amigos dos Animais de Santa Maria -RS.
Em 2008, a instituição protetora Clube Amigos dos Animais, afiliada à WSPA, foi a vencedora na categoria Bem-Estar Animal. Localizada em Santa Maria, RS, a ONG concorreu à indicação com trabalho desenvolvido pelo Projeto Vida, voltado para a sensibilização e a educação das pessoas para a guarda responsável de animais domésticos. Segundo a médica veterinária Marlene Nascimento, dirigente da instituição, o prêmio é importante para dar visibilidade às ações realizadas pelo movimento de proteção animal. FONTE: http://www.amigobic hopf.com. br/